terça-feira, março 13, 2007

YALE QUE A GLOBO NEWS NÃO VIU

Yale School of Forestry

Acabei de assistir ao programa Mundo S/A da Globo News que foi feito sobre a Universidade de Yale com destaque para a Escola de Management (SOM). É uma das mais inovadoras escolas de administração e negócios em uma das mais tradicionais e ricas universidades americanas. Ali os estudantes aprendem não só a fazer e administrar dinheiro, mas também - e muito - sobre a responsabilidade corporativa das empresas, algo ainda novo no Brasil mas que vem crescendo com uma rapidez impressionante, tanto em países pobres quanto ricos. Trata-se do mesmo objetivo de sempre - ganhar dinheiro - mas as regras são mais coerentes com um mundo onde as desigualdades acabam prejudicando, ao final, os próprios negócios.

Mas o que é interessante nessa história de Yale é que ali foi criada, em 1900, a primeira escola de pós-gradução em Florestas dos Estados Unidos - que funcionou neste prédio da foto - Marsh Hall, lugar onde tive o prazer de ter o meu escritório quando fui McCluskey Fellow - professora visitante, em 2004. A escola que Gifford Pinchot and Henry S. Graves criaram cresceu e, desde 1972, ampliou a área de ensino para incorporar também estudos ambientais. É a famosa School of Forestry & Environmental Studies.

O atual reitor, Gus Speth, foi co-fundador de duas ONGs ambientais fortes daqui dos EUA: o NRDC - Natural Resources Defense Council e o WRI - World Resources Institute. Ele foi assessor do presidente Jimmy Carter em assuntos de meio ambiente e foi o Diretor do PNUD por seis antes. Seu último livro chama-se Global Environmental Governance.

Alunos brasileiros

O primeiro aspecto que eu queria salientar que o repórter da Globo News não viu é que a Escola de Florestas e Meio Ambiente de Yale tem tradição em receber alunos brasileiros e/ou alunos que estudam o Brasil. A mais recente doutora é Marina Campos que escreveu uma tese sobre o movimento social da Transamazônica. Ela foi a primeira mulher brasileira a concluir o doutorado na Escola de Florestas. Antes dela foi Christiane Heringhaus, que não é brasileira mas se criou no Brasil, fez sua tese sobre o movimento dos seringueiros. Meu irmão, Fernando Allegretti, Gerente de Relacionamento com Comunidades da Natura, fez seu mestrado na mesma escola.

Amazônia em Yale

Enfim, a novidade principal, que aproveito para divulgar já que a Globo News não viu, é que a School of Forestry e a Scholl of Managemente têm um MBA em conjunto que está oferecendo bolsa completa aos estudantes que moram ou estudam na Amazônia brasileira e andina. A bolsa vem de uma doação da Fundação Gordon e Betty Moore e Yale está procurando alunos que queiram estudar ali, uma das melhores universidades do mundo, com tudo pago! São três anos de MBA, o candidado tem que ser aceito, é claro, para então se candidatar a receber essa bolsa.

Informações adicionais e requisitos

The Gordon and Betty Moore Foundation seeks to strengthen the managerial capacities of environmental and conservation organizations around the world, but especially those that operate in the Andes-Amazon region. Because this area of the world holds particular interest for the Moore Foundation, Yale University and the Foundation have entered into a partnership to provide world-class professional development to a select group of managers who will, upon graduation, seek employment with organizations in the region—especially those receiving support from the Moore Foundation. After graduation, grantees will agree to work for at least three years in environmental or conservation organizations in the region.
Yale’s professional Schools of Management (SOM) and Forestry & Environmental Studies (FES) have proven track records when it comes to producing today’s conservation and environmental leaders. Under an innovative, three-year joint degree program that combines training for an MBA and an Environmental Master’s degree, Yale has for more than 20 years prepared students with a top-notch education that combines a solid grounding in environmental sciences and con-servation with cutting-edge management skills. The record is clear and reflected in the successful careers and leadership of previous graduates of the program.
The Moore Fellows Program seeks well qualified candidates to undertake the three-year, joint degree program. Successful applicants will receive full tuition and living expenses for each of the three years of the program. In addition, funding is provided for at least one summer internship to be carried out with a Moore Foundation grantee organization in the Andes-Amazon region.
Objective of the Moore Fellowship The Gordon and Betty Moore Foundation seeks to strengthen the managerial capacities of environmental and conservation organizations around the world, especially those that operate in the Andes-Amazon region.
The Moore Foundation and Yale University have partnered to provide world-class professional development to a select group of managers who will, upon graduation, seek employment with organizations in the region. Equipped with a joint MBA / MEM from the Yale School of Management and the Yale School of Forestry and Environmental Studies, these managers will have the tools to effectively create change in some of the most critical eco-systems in the world.
Scholarship AwardMoore fellows will receive funds to cover full tuition and a modest stipend for all three years of the program. In addition, they will receive funds for at least one summer internship to be carried out with a Moore Foundation grantee organization in the Andes-Amazon region.

Moore fellows must commit to working within the biodiversity conservation field in the Andes-Amazon region for at least three years following graduation. While fellows are not required to work for a Moore Foundation grantee organization, the position must be approved by the Moore Foundation.Eligibility Eligible applicants for the Moore Fellowships must have work experience within the biodiversity conservation field in the Andes-Amazon region and must be accepted to both Masters programs. While the fellowship is not limited to citizens and permanent residents of a country in the Andes-Amazon region, these applicants are preferred.For more information on selection criteria for each school, please visit their websites: Yale School of Management Yale School of Forestry & Environmental Studies

There is no separate application for the Moore Fellowships. Applicants must apply to each school separately in accordance to their deadlines and requirements. Indicate your interest in the Moore Fellowship on each application.To apply to the School of Forestry & Environmental Studies, either proceed with an on line application or mail and request application materials at the following address: Yale School of Forestry & Environmental Studies, Admissions, 205 Prospect Street, New Haven, CT 06511 USA.
The School of Management has three admissions deadlines and only accepts online applications. Please go to the SOM adminissions website to view the deadlines and online application. Questions related to the School of Management may be directed to the Admissions Office.The School of Forestry & Environmental Studies will accept Graduate Management Aptitude Test (GMAT) test score results in place of the Graduate Record Examination (GRE) which means that applicants do not need to take both tests. Send GMAT test scores to both schools directly (SOM Code #3986, FES Code #3996).
The School of Management does not accept the GRE in lieu of the GMAT, however.Because the two application processes are separate, applicants must submit transcripts and recommendations to both schools. Applicants may either request separate recommenders for each school or ask each recommender to send two versions of the recommendation -- one to SOM and one to FES. We want to learn about an applicant's suitability for each school and program. SOM requires two letters, while FES requires three letters.

For additional information about other Moore Foundation Scholarships and Courses in the Andes-Amazon Region consult the Moore Foundation website.

7 comentários:

Anônimo disse...

Prezada Dra. M. Allegretti,
Muito bom o destaque sobre as bolsas. Me chamo Adalberto Ribeiro e fui aluno do mestrado em Desenv. Sustentável no convênio MMA/CDS-UnB/UNIFAP/CEFHOR-GEA na época em que a Sra. estava no Ministério do Meio Ambiente. Hoje sou aluno do programa de doutorado NAEA/UFPA e estudo ação coletiva e capital social na região sul do Amapá - dos anos 1980 pra cá. Gostaria de saber da possibilidade de lhe entrevistar oportunamente. Grato de antemão !!
Adalberto - adalberto@unifap.br e adalb.cr@uol.com.br

Anônimo disse...

Querida Mary,

Eis a prova que tem tanta coisa que a "globo" não viu- nem vê... muito menos quer (mostrar). Que maravilhosa informação a sua- que grande chance para os acadêmicos brasileiros. Se eu fosse capacitada já ia correr atrás, infelizmente a gente não pode tudo abarcar ...
Um Abraço,
Silvana de Faria Ditcham (amiga do Altino Machado)

Anônimo disse...

Que legal essa noticia! Tô me formando em biologia pela Universidade Federal do Amapá, será que tenho alguma chance?? :P

Mary Allegretti disse...

Caro Adalberto: vamos agendar uma conversa, sim, na próxima vez que eu for a Belém ou Macapá. O sul do Amapá é uma região muito interessante para esse tipo de pesquisa. E ali existem todas as formas de uso da terra: reserva extrativista, reserva de desenvolvimento sustentável, projeto de assentamento extrativista, reserva biológica, assentamentos convencionais... e uma grande história para ser contada.

Mary Allegretti disse...

Querida Silvana:essa é uma grande oportunidade mesmo; seria muito bom se os pesquisadores amazônicos aproveitassem.

As regras para se candidatar estão indicadas no blog e no endereço da universidade. São exigentes, mas não há nada que não se consiga quando se quer realmente.

Silvana de Faria Ditcham disse...

Querida Mary,
Você é muito meiga. Pôxa, eu concordo PLENAMENTE com você- a gente tem que correr atrás do que quer. Sabe que vc me deu a curiosidade d'eu dar uma olhada no site? Sabe eu sempre "mexi" com cinema, imagem, video, etc... embora tenha mestrado, será que eles querem uma "coroa" com experiencia em filme- embora nascida e criado no meio do mato? Eu SEI como sei do meu nome- que UM DIA vou acabar voltando para onde brotou o meu "Olho d'água"... Sei não...essas capacidades academicas maiores me intimidam, embora não seija complexada- longe disso mas sempre fui uma admiradora dos que percorrem uma carreira acadêmeica - assim como você, mana. É um UNIVERSO muito longe da vidinha prática como a minha com filhas e marido, etc... e muitos projetos de filme e documentário para desenvolver, mas bem que meteria a cara num curso desses! Bem- vou dar uma olhada e ai eu lhe mantenho informada, ok? Valeu a força, sua admiradora, SIlvana

ciça disse...

Olá, Mary!
Meu nome é Cecilia Viana, acabo de começar o mestrado aqui na F&ES, em environmental studies. Ainda que nao esteja interessada no joint degree, meu foco também é a Amazônia. Estou estudando a IIRSA e o papel/postura do movimento indígena frente ao projeto.
No mesmo sentido, estou pensando, junto com amigas daqui, em organizar um Seminário sobre megaprojetos na América Latina. Com certeza, seria ótimo escutar suas sugestoes/opinioes!
Espero que possamos nos encontrar um dia desses - seja aqui ou por aí! Aliás, o Gordon Geballe me disse pra te procurar... acho que teríamos muito o que conversar!!
Te mando um grande abraço!
Meu email é cecilia.viana@yale.edu