segunda-feira, setembro 22, 2008

CHICO MENDES 20 ANOS

Um espaço para discutir, atualizar e avaliar seu legado.


Em 2008 estamos lembrando os 20 anos do assassinato de Chico Mendes, que ocorreu no dia 22 de dezembro de 1988. Embora seu nome conste do pavilhão dos heróis nacionais e seja tema de pesquisas entre alunos e professores em diferentes escolas do Brasil, as pessoas não entendem exatamente as razões pelas quais ele ficou conhecido e merece esse destaque.

A minissérie "Amazônia: de Galvez a Chico Mendes", da Globo, contribuiu para divulgar a história da conquista do Acre, o período da borracha e, inclusive, a vida de Chico Mendes. No entanto, o documentário terminou com sua morte, passando a impressão de que sua luta não teve consequências práticas para a Amazônia, para os seringueiros e demais trabalhadores extrativistas. Muitas pessoas assistiram a minissérie mas não adquiriram maior compreensão a respeito da realidade atual das causas associadas ao seu nome.

A contribuição dada por Chico Mendes e pelo movimento dos seringueiros para influenciar as políticas de desenvolvimento da Amazônia recebeu importante reconhecimento internacional e Chico foi premiado por isso. Mas a verdade é que sua história está mais registrada em teses acadêmicas e livros publicados no exterior do que no Brasil.



Chico Mendes atrás de Ted Turner, fundador da CNN, que o homenageou com o Prêmio de Meio Ambiente da Fundação Better World Society, em Nova York, em 1988.

A visível ampliação do espaço destinado na mídia às questões ambientais em geral e à Amazônia em particular, nos últimos dois anos no Brasil, têm despertado o interesse do público por temas como desenvolvimento sustentável. Não existe, no entanto, uma clara informação sobre o papel de Chico Mendes nesse processo histórico. Seu legado é desconhecido fora de um pequeno círculo de pessoas e existem dificuldades para se compreender o contexto histórico de sua vida e as consequências atuais de suas idéias.

Todas essas razões me levaram à idéia de abrir um espaço, no meu blog, aqui e no portal Amazônia da Globo "http://colunas.globoamazonia.com/maryallegretti/" todas as semanas, até o dia 22 de dezembro, para fazer um balanço dos resultados de suas idéias, esclarecer aspectos de sua trajetória, divulgar imagens, textos e depoimentos de outras pessoas que conviveram com ele.

6 comentários:

Francielle Faria disse...

Cara Mary!

Parabéns por tal iniciativa. Eu, como universitária do curso de jornalismo aqui no interior de São Paulo, confesso à você, que soube quem foi Chico Mendes, através na minissérie global Amazonia: de Galvez a Chico Mendes.

Na escola não tive aulas sobre a Amazônia Contemporânea e os conflitos de latifundiários e seringueiros que se travou nas décadas de 70 e 80. Aprendi sim, sobre Tiradentes, D. Pedro I, abolição dos escravos e Guerras Mundiais, mas sobre Chico Mendes, ninguém me falara absolutamente nada. Fico entristecida por isso, nasci três anos antes de seu assassinato, e somente em 2006 vim a conhecer seu nome e a me interessar por sua causa. Mas, não me envergonho disso, pelo contrário, aprendi com meus professores universitários que nunca é tarde para aprender e que nunca saberemos de tudo.

A TV, tão criticada pelos teóricos da comunicação, e muitas críticas são bem conceituadas realmente, porque são os meios de comunicação de massa os responsáveis pela manipulação das classes, principalmente as mais baixas. A agenda pública, ou seja, os assuntos discutidos nas sociedades contemporâneas são todos pautados por uma mídia que esta nas mãos de poucos empresários. Mas, foi esta mídia que me apresentou a história de Chico Mendes, isso é impossível negar, mas, infelizmente, não apresentou seu legado, por isso me interessei por estudar sua trajetória, exatamente para entender, quais foram as conseqüências de sua causa e de seus ideais.

A TV, por mais manipuladora que seja, é ela a responsável por levar algum tipo de informação as sociedades menos favorecidas. E posso garantir a você que, através da minissérie Amazônia, os brasileiros, dos mais jovens aos mais idosos, puderam relembrar, redescobrir ou descobrir, como eu, a história de um verdadeiro líder que lutou pelo progresso humano e social.

Mas, concordo com você quando afirma que a imagem que se tem é de que tudo acaba quando o tiro fulmina a vida de um herói. Aquele 22 de dezembro de 1988, foi só o começo de uma grande luta que se concretizou no Acre. A luta pelo bem estar social e ambiental. A luta por direitos humanos e igualitários, que não eram respeitados no Acre.

Tive o prazer, e digo isso com orgulho, instigada por você, a estudar o papel da mídia neste processo. Por que a imprensa nacional ignorou o que Chico Mendes fazia como sendo um fato jornalístico e não divulgava suas idéias? Por que Chico Mendes precisou ser assassinado para que a imprensa nacional reconhecesse sua luta? Por que seus idéias passaram pelos critérios de noticiabilidade da imprensa estrangeira e não passou pelos mesmos critérios na imprensa brasileira?

Eu procuro, no projeto experimental de conclusão de curso, por meio das teorias que explicam o jornalismo, responder a tais perguntas. Procuro também, contar um pouco da trajetória de Chico, mas, principalmente, dizer o que aconteceu 20 anos depois de seu assassinato. O que aconteceu com as reservas extrativistas? E o Projeto Seringueiro? Seu legado é conhecido entre os brasileiros? Sua idéias são difundidas e aplicadas?

Cara Mary, a pesquisa que propus a fazer trata-se de um simples projeto experimental, que resultará em um livro reportagem. Ele esta quase pronto. O Élson Martins ajudou bastante, como a Elenira Mendes e você, por ter instigado em mim a pesquisa para a questão do que é considerado um fato jornalístico.

Obrigada por fazer parte desta história tão fascinante junto a Chico Mendes. É importante que se diga, pelo menos esta é a minha opinião, que a história de Chico não seria a mesma se você não resolvesse fazer sua tese de mestrado lá no Acre. Você é peça fundamental na projeção internacional de Chico Mendes e na concretização de muitos de seus ideais.

Parabéns!

E quando terminar de escrever, envio o trabalho para que você leia. Mas, por favor, não repare os erros, nem a maneira simples de escrever. Posso garantir que escrevi de coração e consultei boas fontes, como sua tese de doutorado, por exemplo, que é com certeza, o que existe de mais completo sobre a trajetória do líder seringueiro Chico Mendes e da historia econômica do Acre.

Obrigada pelo carinho,

Francielle Faria

Francielle Faria disse...

Cara Mary!

Parabéns por tal iniciativa. Eu, como universitária do curso de jornalismo aqui no interior de São Paulo, confesso à você, que soube quem foi Chico Mendes, através na minissérie global Amazonia: de Galvez a Chico Mendes.

Na escola não tive aulas sobre a Amazônia Contemporânea e os conflitos de latifundiários e seringueiros que se travou nas décadas de 70 e 80. Aprendi sim, sobre Tiradentes, D. Pedro I, abolição dos escravos e Guerras Mundiais, mas sobre Chico Mendes, ninguém me falara absolutamente nada. Fico entristecida por isso, nasci três anos antes de seu assassinato, e somente em 2006 vim a conhecer seu nome e a me interessar por sua causa. Mas, não me envergonho disso, pelo contrário, aprendi com meus professores universitários que nunca é tarde para aprender e que nunca saberemos de tudo.

A TV, tão criticada pelos teóricos da comunicação, e muitas críticas são bem conceituadas realmente, porque são os meios de comunicação de massa os responsáveis pela manipulação das classes, principalmente as mais baixas. A agenda pública, ou seja, os assuntos discutidos nas sociedades contemporâneas são todos pautados por uma mídia que esta nas mãos de poucos empresários. Mas, foi esta mídia que me apresentou a história de Chico Mendes, isso é impossível negar, mas, infelizmente, não apresentou seu legado, por isso me interessei por estudar sua trajetória, exatamente para entender, quais foram as conseqüências de sua causa e de seus ideais.

A TV, por mais manipuladora que seja, é ela a responsável por levar algum tipo de informação as sociedades menos favorecidas. E posso garantir a você que, através da minissérie Amazônia, os brasileiros, dos mais jovens aos mais idosos, puderam relembrar, redescobrir ou descobrir, como eu, a história de um verdadeiro líder que lutou pelo progresso humano e social.

Mas, concordo com você quando afirma que a imagem que se tem é de que tudo acaba quando o tiro fulmina a vida de um herói. Aquele 22 de dezembro de 1988, foi só o começo de uma grande luta que se concretizou no Acre. A luta pelo bem estar social e ambiental. A luta por direitos humanos e igualitários, que não eram respeitados no Acre.

Tive o prazer, e digo isso com orgulho, instigada por você, a estudar o papel da mídia neste processo. Por que a imprensa nacional ignorou o que Chico Mendes fazia como sendo um fato jornalístico e não divulgava suas idéias? Por que Chico Mendes precisou ser assassinado para que a imprensa nacional reconhecesse sua luta? Por que seus idéias passaram pelos critérios de noticiabilidade da imprensa estrangeira e não passou pelos mesmos critérios na imprensa brasileira?

Eu procuro, no projeto experimental de conclusão de curso, por meio das teorias que explicam o jornalismo, responder a tais perguntas. Procuro também, contar um pouco da trajetória de Chico, mas, principalmente, dizer o que aconteceu 20 anos depois de seu assassinato. O que aconteceu com as reservas extrativistas? E o Projeto Seringueiro? Seu legado é conhecido entre os brasileiros? Sua idéias são difundidas e aplicadas?

Cara Mary, a pesquisa que propus a fazer trata-se de um simples projeto experimental, que resultará em um livro reportagem. Ele esta quase pronto. O Élson Martins ajudou bastante, como a Elenira Mendes e você, por ter instigado em mim a pesquisa para a questão do que é considerado um fato jornalístico.

Obrigada por fazer parte desta história tão fascinante junto a Chico Mendes. É importante que se diga, pelo menos esta é a minha opinião, que a história de Chico não seria a mesma se você não resolvesse fazer sua tese de mestrado lá no Acre. Você é peça fundamental na projeção internacional de Chico Mendes e na concretização de muitos de seus ideais.

Parabéns!

E quando terminar de escrever, envio o trabalho para que você leia. Mas, por favor, não repare os erros, nem a maneira simples de escrever. Posso garantir que escrevi de coração e consultei boas fontes, como sua tese de doutorado, por exemplo, que é com certeza, o que existe de mais completo sobre a trajetória do líder seringueiro Chico Mendes e da historia econômica do Acre.

Obrigada pelo carinho,

Francielle Faria

Mary Allegretti disse...

Prezada Francielle

Suas observações comprovam exatamente o que sempre pensei e justificam a iniciativa de abrir esse espaço nesse momento.

vou publicar sua resposta também no portal da Globo para incentivar outros estudantes como você a mergulhar nessa história.

um abraço e envie seu trabalho quando estiver concluído.

Mary

Carolina disse...

Oi Mary, vi seu blog no amazonia.org.br..

Chico Mendes foi um grande homem, uma pena não ter vivido mais pra continuar a luta. Minha mãe é de Xapury e já me contou tudo sobre Chico Mendes, que por sinal, ela o conheceu pessoalmente.

Mary Allegretti disse...

Oi Carolina, eu queria pedir para sua mãe escrever como ela conheceu o Chico para publicar no blog. Esse espaço é exatamente para acolher os depoimentos de pessoas que até hoje não falaram publicamente sobre ele... vou aguardar. abraço, Mary

Priscila Macôr disse...

Não conhecia teu blog. Conheci através do Portal Amazônia.org.
Realmente Espetacular Iniciativa.

Infelizmente no Brasil, pessoas que participam do Big Brother às vezes tem suas histórias de Vida melhor exploradas do que pessoas como Chico Mendes. Não estudei absolutamente nada sobre ele durante o Colégio. E foi justamente pela Internet e por iniciativas como a tua, de descrever a sua Luta que pude me informar.

Muitíssimo Obrigada.