quarta-feira, abril 11, 2007

ÓLEO, FLORESTAS E ÍNDIOS

ÓLEO, FLORESTAS E ÍNDIOS

"Estrada não é sustentável e nunca será. As estradas mudam tudo. E nós precisamos ser tão radicais quanto são as estradas em termos das políticas que nós implementamos, porque estrada traz especulação fundiária e o tipo de expansão econômica que está associada com a especulação fundiária. Essa fase de cada um fazer o que quer, já passou, é uma idéia que está acabando. Há cobranças, meios de comunicação, legislação, governo federal – regras que precisam ser cumpridas.

Jorge Viana, debate na Universidade de Yale, dezembro de 2004.

Reconhecer o impacto de uma obra de infra-estutura (estrada, exploração de óleo, hidrelétrica) é, certamente, o passo inicial mais seguro para discutir se ela deve ser feita, como, quando e quais as medidas que devem ser tomadas para evitar ou minorar os efeitos negativos, diretos e indiretos. O debate sobre a exploração de óleo no Acre deveria começar com essa constatação fundamental: causa impacto à floresta, aos outros recursos naturais, aos índios e demais habitantes do entorno, às comunidades tradicionais, agricultores e moradores das cidades próximas.

Não me refiro ao impacto da planta de exploração do óleo, tal qual existe em Urucu e foi mostrada para a comitiva do senador Tião Viana. Este é o impacto local, mínimo, de qualquer atividade mineral – afinal, diferentemente de uma estrada, que abre quilômetros de acesso e afeta, pelo menos 50 km de cada lado, o minério está no sub-solo e o impacto no solo é aquele, mínimo e suficiente para acessar o sub-solo. Esse é sempre o cartão de visitas de uma mineradora ou de uma área petrolífera. E é a mais pura verdade. A área aberta na mata pode ser inteiramente recuperada e ponto final.

Em tese, não existe nenhum tipo de impacto que, a priori, não possa ser controlado e evitado, se cuidadosamente avaliado, conhecido, dimensionado e, principalmente, reconhecido como problema desde o início do processo. Cada atividade econômica gera impacto de forma diferente e já existe suficiente experiência para saber o que acontece e como prevenir.

Antes de mais nada, porém, análise de impacto tem o objetivo de abrir a discussão e permitir que tomadores de decisão, beneficiários potenciais e potenciais setores impactados pelo projeto possam decidir e, muito importante, de posse de todas as informações, dizer que SIM, deve ser executado, ou NÃO, deve ser evitado.

Então, é recomendável que o debate comece pelo claro e límpido reconhecimento de que exploração de petróleo em floresta tropical, onde existem áreas protegidas, terras indígenas e índios isolados, certamente causará um enorme impacto. E os benefícios - podem compensar o dano? Essa é a questão.

De que impacto estamos falando?

É preciso considerar, pelo menos, dois tipos de impacto – ambiental e social em duas modalidades, direto e indireto.

O impacto ambiental direto da planta, como já salientei, é cada vez menos difícil de controlar. Sempre será necessário abrir uma ou mais clareiras na mata, nada que não possa ser recuperado.

Ainda no impacto direto é preciso considerar os efeitos da prospecção em si mesma, ou seja, barulhos e tremores de terra que geralmente estão associados à fase inicial de identificação do potencial da jazida. Esse é um sério problema no caso do Juruá pela existência de tribos sem contato que, por razões muito menos impactantes (barulho de moto-serra do trabalho de demarcação dos limites da área a eles destinada), já reagiram e mataram as primeiras pessoas que encontraram pela frente. Mesmo com tecnologias mais modernas e menor barulho ou tremor, esse é um ponto fundamental da análise.

Assim como esse existem inúmeros outros: vazamento de óleo no sistema de transporte, poluição dos rios, diminuição da caça no entorno.

Mas o que eu gostaria de chamar atenção, especialmente, é para o fato de que, na minha opinião, o problema maior (ou menos analisado) em um projeto de exploração petrolífera, é a relação custo-benefício, econômica e social, para a sociedade local.

Trata-se de uma obra de infra-estrutura econômica que comporta os seguintes elementos: uma planta central de exploração do sub-solo e um sistema de transporte do produto final (gás ou petróleo) para centros consumidores. Então, o impacto que precisa ser analisado é aquele que vai ser gerado no entorno do projeto, nas pequenas cidades ou vilas, por exemplo, e no trajeto que vai seguir a distribuição (gasoduto, transporte fluvial).

Se, no caso do impacto ambiental da planta, pode haver recuperação e a floresta voltar ao que era, depois de alguns anos, o impacto sócio-econômico é irreversível, nunca mais aquelas comunidades serão as mesmas. Isso pode ser bom? Sim, podemos dizer que estas comunidades são pobres, desassistidas e que passarão a contar com projetos sociais que a tirarão do isolamento, etc. Mais comum, no entanto, é que não seja assim. O impacto social de projetos de exploração mineral é alto, irreversível, e de difícil controle: migrações, exploração ilegal de madeira, urbanização desorganizada, abertura de estradas, especulação fundiária, poluição dos rios, etc. E esse deve ser o ponto central das discussões. Principalmente tendo como referência outros exemplos, em outros países, porque a experiência acumulada é grande no mundo, neste tipo de projeto.

Alto valor agregado versus baixo emprego gerado

O emprego direto gerado pela exploração de petróleo é reduzido e, quando bem remunerado, beneficia pessoas altamente qualificadas, não necessariamente do local. Indiretamente, será necessário avaliar muito bem o tamanho da planta, o tipo de infra-estrutura associada, para saber se as cidades em volta poderão realmente receber algo em troca. Geralmente, como a mão de obra é muito qualificada, as pessoas se revezam e ficam um tempo na planta e outro fora, na cidade de origem, na sede da empresa, no Rio de Janeiro, por exemplo. Assim, são poucos os serviços realmente demandados em nível local.

Por outro lado, o valor agregado do petróleo ou gás é muito alto, o que significa que, com o pagamento de royalties, muitos outros investimentos poderiam ser realizados para minimizar impactos sociais negativos, diretos e indiretos. Aliás, essa é uma das vantagens da exploração mineral: impacto ambiental localizado e alto valor agregado e, sempre acreditei, deveria ser melhor analisada como alternativa de desenvolvimento na Amazônia. No entanto, o impacto social e econômico pode ser devastador se não for muito bem administrado.

Impacto étnico

O risco deste projeto é alto, principalmente, para os grupos indígenas. Embora as Terras Indígenas do Acre estejam quase todas legalizadas, faltam investimentos de longo prazo para diminuir o histórico déficit econômico e social destas comunidades. Iniciar um projeto de exploração de petróleo sem implantar ANTES um adequado projeto de desenvolvimento sustentável com estas comunidades – indígenas e tradicionais – poderá se transformar, facilmente, em genocídio. Algo que o Acre não merece.

Poder de negociação

Só depois de detalhamente analisado o impacto ambiental e social, direto e indireto, e o custo-benefício do projeto, em termos do valor que a exploração poderá trazer para o Estado em comparação com outras alternativas existentes ou potenciais, e um plano muito detalhado de compensações - é que se poderá dizer se deve-se ou não realizar a exploração. Se a conclusão for negativa, certamente o exercício terá permitido a identificação de alternativas consideradas mais favoráveis para o desenvolvimento do Estado. Caberá ao proponente do projeto, senador Tião Viana, dedicar o mesmo nível de atenção para viabilizar estas alternativas. Se a conclusão for positiva, caberá à sociedade envolvida direta e indiretamente com o projeto, exercer seu poder de negociação para fazer acordos adequados de compensação ambiental, econômica e social.

A decisão não pode ser política nem pode ser baseada na idéia de que, por ter o Acre um governo comprometido com o meio ambiente e a sociedade, os riscos serão menores. Esse é um projeto com implicações de longo prazo, cuja análise e decisão precisam estar acima dos partidos. E as ONGs, mesmo sendo identificadas com o PT, precisam ser independentes, críticas e capazes de avaliar com critério todos os aspectos antes de se posicionar.

Se, por outro lado, o governo do PT já decidiu pela exploração do óleo, independentemente do debate público e da avaliação dos impactos, é melhor assumir logo essa decisão e arcar com as consequências, porque elas virão.

domingo, abril 08, 2007

REPERCUSSÃO


Esta foto foi tirada quando eu estava andando com Chico pelo Seringal Cachoeira em setembro de 1988. Nesta entrevista ele contou as estórias sobre o caboclinho da mata que a Glória Perez mostrou de maneira genial.

Aqui estão algumas das mensagens que recebi, no blog e no email, desde que começou a parte final da minissérie Amazônia. Agradeço. Fico feliz em saber que a história está repercutindo e que as pessoas percebem como ela é importante e verdadeira até hoje.


.........................................
Mary, minha celebridade preferida,
Adorei o capítulo de ontem da série Amazônia, da TV Globo. Em primeiro lugar pelo reconhecimento do seu maravilhoso trabalho em rede nacional. O curioso é que arrumaram uma atriz que se parece demais contigo, principalmente aquela jovem antropóloga que conheci há tanto anos na quente Cuiabá e que morava em uma casa ótima na beira do rio. Pena que a sua personagem só apareceu no penúltimo capítulo - a série termina hoje, uma sexta-feira santa. Mesmo assim deu para a parte do Brasil que desconhece o seu trabalho saber o que você fez. A gravação do Encontro Nacional dos Seringueiros foi impressionante. A sua obstinação - admiro demais isso - é algo maravilhoso. Aliás, a série da Glória Peres foi impressionante. Parabéns. Gostaria de fazer um pedido. Você poderia me enviar em meio digital a sua tese sobre o Chico Mendes. Lembro que você me deu, mas perdi em uma das minhas mudanças. Até gravei em um CD, mas não consigo encontrar. Tem umas 10 pessoas que já me pediram para ler. Tudo depois da série Amazônia. Carlos Honorato.

.............................................
Mary, foi fantástico o final da minissérie!!!!. Mas pena que não colocaram mais informações preciosas que você sabe; mas foi muito boa a história. O que fiquei impressionada foi como a atriz, a Silvia, te retratou; ela estudou teus movimentos, nossa, parecia que era você atuando na tela. Adorei. Será que vai ter o documento em algum lugar para comprar? Vale a pena, pela mensagem e sobretudo pela luta que se realizou na época e que hoje pouco lembramos do ocorrido e sobretudo o Brasil, que poucos conhecem essa sua participação e a luta do Chico. Parabéns!! Para você a toda a equipe da Globo. Beijão, Elsa Mendosa.

...................................
VICTOR deixou um novo comentário sobre a sua postagem "ELOS ENTRE GALVEZ E CHICO MENDES": Ainda acredito em dias mais justos no Brasil mesmo meio a impunidade, quando vejo verdadeiros brasileiros como você e Chico Mendes que não se calaram diante das injustiças sobre o povo. Parabéns pela bela amizade que teve com ele, pelas oportunidades e o teu amor pela sua causa.

.................................
A. Campos deixou um novo comentário sobre a sua postagem "DE GALVEZ A CHICO MENDES": Adorei a minissérie Amazônia, parabéns Glória Perez, que tal você um dia fazer uma novela em Belém-Pará! Para sair da mesmisse Rio sempre Rio e às vezes São Paulo. Sou cearense mas tenho muito carinho pela região da Amazônia que é sempre esquecida e tem uma cultura indígena bem bacana. Abraços e obrigada.

..........................
Juliana D. deixou um novo comentário sobre a sua postagem "DE GALVEZ A CHICO MENDES":
Olá Mary. Gostei muito do seu blog. Vou começar a visitá-lo mais, pois gosto bastante de Antropologia, mas creio que ainda esteja presa aos livros e não aos fatos. Abraços e Boa Páscoa.

.....................................
leonardo souz@ deixou um novo comentário sobre a sua postagem "O ACRE DE RAIMUNDÃO E BINHO":
Oi gostei do documentário, queria saber se vc mary é amiga do chico mendes que apareceu na minisserie e se este raimundão é aquele amigo de chico mendes, líder do sindicato juntamente com chico? resolvi procurar documentários sobre chico mendes e sua história por que acho que pessoas que lutam por um ideal comum em pro do trabalhador devem sempre ser lembradas como heróis. Este é um simples comentário de um adolescente de 17 anos. Obrigado por tudo, o brasil precisa deste resgate da nossa história.

.....................................................
olho de rua deixou um novo comentário sobre a sua postagem "IDENTIDADE VIRTUAL":
Hoje, assim que acordei, pela primeira vez quis compreender melhor a causa dos seringueiros e tudo sobre o líder Chico Mendes. Acontece que assisti (acompanhei capítulo a capítulo da minissérie Amazônia de Glória Perez). Ao digitar no Google o nome da minissérie, deparei-me com seu blog, D. Mary. Acontece que ao dar uma breve olhada nele, fiquei sabendo que vc esteve muito tempo ao lado de Chico Mendes e isso me encantou e digo que vou ficar um bom tempo vindo aqui pois quero ler todo o seu blog. Como já li a sua introdução, resolvi comentar aqui. Fico seu amigo desde já. "Conversando" com você, prá mim, é como estar conversando com o próprio Chico Mendes. Abraços
.

terça-feira, abril 03, 2007

CNS MÉDIO JURUÁ

Email de Suzy, coordenadora da RDS Uacari que fica do outro lado do rio da RESEX Médio Juruá sobre a foto publicada no blog anterior:

A Mary eu não a conheci pessoalmente, eu apenas a vi, no último congresso do CNS em Manaus em 2005. Mas o Sr. Elson, Manoel Cunha, a conhecem. As fotos foram tiradas pela equipe do CNS, durante a oficina de Educação Ambiental na RDS Uacari, com a participação de membros da equipe que eu coordeno...

O senhor Elson/CNS, pede para vc dizer para a MARY que ele continua envolvido na organização em defesa dos extrativistas, gostaria de agradecer muito pelo apoio recebido em 1986. Este apoio que ela deu contribuiu muito para a liberdade que os seringueiros tem hoje e também para a crição da Reserva Extrativista do Medio Juruá.

Ele representa como coordenador regional em Carauari, o CNS. Espera um dia poderem se encontrar novamente e para ver quem vai estar mais novo e bonito, que ela desculpe as brincadeiras e finaliza enviando um grande e saudoso abraço. Muito agradecido por tudo.

Suzy

quinta-feira, março 29, 2007

SERINGUEIROS E PATRÕES NO MÉDIO JURUÁ


















Na foto, ao meio, Manoel Cunha, presidente do Conselho Nacional dos Seringueiros; à esquerda meu aluno da Universidade da Flórida Mason Mathews e à direita o seringueiro Elson Pacheco. A foto foi tirada na Reserva Extrativista do Médio Juruá em agosto de 2006 mas a história começa vinte anos antes, exatamente em 1986. Ela me veio à mente imediatamente com o email que recebi do Mason esta semana:

Oi Mary,

Tudo bem? Espero que tudo vai bem lá em Wisconsin... Mando um informe muito breve sobre a minha visita ao Médio Juruá. Seguramente você vai se lembrar do seu Elson na foto do informe. Ele me ajudou muito a fazer a visita nas comunidades e ainda se lembra da ajuda que você deu prá ele quando teve problemas com o patrão em 1986.... Bom, espero que a gente tenha a oportunidade de falar sobre as pesquisas nestes meses. Um abraço, Mason

Encontro Nacional

Em 1986, logo depois do Primeiro Encontro Nacional dos Seringueiros, que aconteceu em Brasília em outubro de 1985, decidimos conhecer o médio Juruá, no Amazonas, eu, Osmarino Amâncio e Jaime Araújo (que era o presidente do Conselho Nacional dos Seringueiros). De Carauari tinham vindo muitos seringueiros para o encontro, inclusive uma mulher corajosa, que viajara mais de duas semanas prá conseguir chegar em Brasília.

Esta foto é de outubro de 1985, quando os seringueiros foram ao Congresso entregar o documento final do Encontro ao presidente da Câmara dos Deputados, Ulisses Guimarães. Ao lado dele está esta mulher valente do Juruá e outro seringueiro que também representava as comunidades do Juruá, junto com Jaime Araújo, um seringueiro do Acre e Chico Mendes que está logo atrás.














Chegamos em Carauari para ficar uns 3 ou 4 dias e acabamos ficando mais de uma semana porque o único avião que fazia a conexão com Manaus simplesmente estragou e demorou muitos dias até voltar (atraso de avião na Amazônia é coisa bem antiga...)

Elso Pacheco

Durante esses dias a mais que ficamos lá presenciamos algo que parecia história do passado. Um seringueiro, Elson Pacheco, nascido ali no Médio Juruá, seringueiro desde menino, havia sido preso e trazido do seringal para a Delegacia de Polícia em Caraurari. O motivo? Ele havia se filiado ao Sindicato dos Trabalhadores Rurais e organizado uma reunião do sindicato na sua colocação. Por esta razão o patrão o expulsou do seringal. Ele não quis sair, o patrão chamou a polícia que foi lá e tirou ele à força.

Quando ficamos sabendo da história fomos falar com o Delegado e quase fomos presos todos por "desacato à autoridade" tão chocados ficamos com a forma como o Delegado reagiu ao nosso questionamento. Disse que o patrão tinha todo o direito sobre o seu seringal e se não quizesse um seringueiro lá podia mandar embora. Sim, mas ele tinha direitos também e precisa ser respeitado, indenizado nas benfeitorias... Naquele momento eu queria era ser advogada e não antropóloga para poder fazer algo concreto e tirar o Elson da cadeia.

A grande instituição de apoio aos seringueiros no Médio Juruá, como em muitos outros lugares da Amazônia, era a Igreja Católica. E lá tinha um excelente projeto do MEB - Movimento de Educação de Base, que havia alfabetizado e conscientizado os seringueiros. E havia o padre João Derickx que dedicava sua vida à defesa dessas comunidades esquecidas nos rios amazônicos. Ele escreveu "Juruá, o rio que chora" (Editora Vozes) que relata o trabalho que realizou naquela região, por muitos anos. Antes do Encontro Nacional, os seringueiros do Médio Juruá já estavam se organizando há vários anos.

Mas nós fizemos pressão, ligamos para deputados, denunciamos o caso, escrevemos ao juiz, fomos lá tantas vezes que acabamos conseguindo tirar o Elson da cadeia, embora imagino que ele tenha respondido a processo e, de fato, não soube mais dele desde o email do Mason esta semana. Agora, ele é um dos líderes da Reserva Extrativista do Médio Juruá.

A Reserva Extrativista do Médio Juruá tem uma longa história e uma tradição de organização que hoje está bem representada na figura do Manoel Cunha, o atual presidente do CNS.

Ficção e realidade

Na minissérie Amazônia o seringueiro Amâncio é expulso do seringal porque colocou roçado. Histórias como a ele existiam aos montes na década de 70 quando comecei a pesquisar os seringais. Eu entrevistei um seringueiro, no seringal Alagoas, no rio Tarauacá, no Acre, em 1978, que havia sido expulso porque queria carteira assinada e o patrão, que era senador, disse que em seringal dele não tinha seringueiro com carteira assinada!! Expulsão por se filiar ao sindicato, como aconteceu com o Elson, também era comum em outros rios da Amazônia até poucos anos atrás.

Será que isso acabou? Não duvido que ainda devem existir muitos outros por esses rios afora ainda vivendo no jugo dos patrões, como o pessoal fala... Se não por outra razão, o simples fato de viabilizar liberdade e autonomia a estes moradores da floresta, já justifica a criação de uma reserva extrativista.

terça-feira, março 13, 2007

YALE QUE A GLOBO NEWS NÃO VIU

Yale School of Forestry

Acabei de assistir ao programa Mundo S/A da Globo News que foi feito sobre a Universidade de Yale com destaque para a Escola de Management (SOM). É uma das mais inovadoras escolas de administração e negócios em uma das mais tradicionais e ricas universidades americanas. Ali os estudantes aprendem não só a fazer e administrar dinheiro, mas também - e muito - sobre a responsabilidade corporativa das empresas, algo ainda novo no Brasil mas que vem crescendo com uma rapidez impressionante, tanto em países pobres quanto ricos. Trata-se do mesmo objetivo de sempre - ganhar dinheiro - mas as regras são mais coerentes com um mundo onde as desigualdades acabam prejudicando, ao final, os próprios negócios.

Mas o que é interessante nessa história de Yale é que ali foi criada, em 1900, a primeira escola de pós-gradução em Florestas dos Estados Unidos - que funcionou neste prédio da foto - Marsh Hall, lugar onde tive o prazer de ter o meu escritório quando fui McCluskey Fellow - professora visitante, em 2004. A escola que Gifford Pinchot and Henry S. Graves criaram cresceu e, desde 1972, ampliou a área de ensino para incorporar também estudos ambientais. É a famosa School of Forestry & Environmental Studies.

O atual reitor, Gus Speth, foi co-fundador de duas ONGs ambientais fortes daqui dos EUA: o NRDC - Natural Resources Defense Council e o WRI - World Resources Institute. Ele foi assessor do presidente Jimmy Carter em assuntos de meio ambiente e foi o Diretor do PNUD por seis antes. Seu último livro chama-se Global Environmental Governance.

Alunos brasileiros

O primeiro aspecto que eu queria salientar que o repórter da Globo News não viu é que a Escola de Florestas e Meio Ambiente de Yale tem tradição em receber alunos brasileiros e/ou alunos que estudam o Brasil. A mais recente doutora é Marina Campos que escreveu uma tese sobre o movimento social da Transamazônica. Ela foi a primeira mulher brasileira a concluir o doutorado na Escola de Florestas. Antes dela foi Christiane Heringhaus, que não é brasileira mas se criou no Brasil, fez sua tese sobre o movimento dos seringueiros. Meu irmão, Fernando Allegretti, Gerente de Relacionamento com Comunidades da Natura, fez seu mestrado na mesma escola.

Amazônia em Yale

Enfim, a novidade principal, que aproveito para divulgar já que a Globo News não viu, é que a School of Forestry e a Scholl of Managemente têm um MBA em conjunto que está oferecendo bolsa completa aos estudantes que moram ou estudam na Amazônia brasileira e andina. A bolsa vem de uma doação da Fundação Gordon e Betty Moore e Yale está procurando alunos que queiram estudar ali, uma das melhores universidades do mundo, com tudo pago! São três anos de MBA, o candidado tem que ser aceito, é claro, para então se candidatar a receber essa bolsa.

Informações adicionais e requisitos

The Gordon and Betty Moore Foundation seeks to strengthen the managerial capacities of environmental and conservation organizations around the world, but especially those that operate in the Andes-Amazon region. Because this area of the world holds particular interest for the Moore Foundation, Yale University and the Foundation have entered into a partnership to provide world-class professional development to a select group of managers who will, upon graduation, seek employment with organizations in the region—especially those receiving support from the Moore Foundation. After graduation, grantees will agree to work for at least three years in environmental or conservation organizations in the region.
Yale’s professional Schools of Management (SOM) and Forestry & Environmental Studies (FES) have proven track records when it comes to producing today’s conservation and environmental leaders. Under an innovative, three-year joint degree program that combines training for an MBA and an Environmental Master’s degree, Yale has for more than 20 years prepared students with a top-notch education that combines a solid grounding in environmental sciences and con-servation with cutting-edge management skills. The record is clear and reflected in the successful careers and leadership of previous graduates of the program.
The Moore Fellows Program seeks well qualified candidates to undertake the three-year, joint degree program. Successful applicants will receive full tuition and living expenses for each of the three years of the program. In addition, funding is provided for at least one summer internship to be carried out with a Moore Foundation grantee organization in the Andes-Amazon region.
Objective of the Moore Fellowship The Gordon and Betty Moore Foundation seeks to strengthen the managerial capacities of environmental and conservation organizations around the world, especially those that operate in the Andes-Amazon region.
The Moore Foundation and Yale University have partnered to provide world-class professional development to a select group of managers who will, upon graduation, seek employment with organizations in the region. Equipped with a joint MBA / MEM from the Yale School of Management and the Yale School of Forestry and Environmental Studies, these managers will have the tools to effectively create change in some of the most critical eco-systems in the world.
Scholarship AwardMoore fellows will receive funds to cover full tuition and a modest stipend for all three years of the program. In addition, they will receive funds for at least one summer internship to be carried out with a Moore Foundation grantee organization in the Andes-Amazon region.

Moore fellows must commit to working within the biodiversity conservation field in the Andes-Amazon region for at least three years following graduation. While fellows are not required to work for a Moore Foundation grantee organization, the position must be approved by the Moore Foundation.Eligibility Eligible applicants for the Moore Fellowships must have work experience within the biodiversity conservation field in the Andes-Amazon region and must be accepted to both Masters programs. While the fellowship is not limited to citizens and permanent residents of a country in the Andes-Amazon region, these applicants are preferred.For more information on selection criteria for each school, please visit their websites: Yale School of Management Yale School of Forestry & Environmental Studies

There is no separate application for the Moore Fellowships. Applicants must apply to each school separately in accordance to their deadlines and requirements. Indicate your interest in the Moore Fellowship on each application.To apply to the School of Forestry & Environmental Studies, either proceed with an on line application or mail and request application materials at the following address: Yale School of Forestry & Environmental Studies, Admissions, 205 Prospect Street, New Haven, CT 06511 USA.
The School of Management has three admissions deadlines and only accepts online applications. Please go to the SOM adminissions website to view the deadlines and online application. Questions related to the School of Management may be directed to the Admissions Office.The School of Forestry & Environmental Studies will accept Graduate Management Aptitude Test (GMAT) test score results in place of the Graduate Record Examination (GRE) which means that applicants do not need to take both tests. Send GMAT test scores to both schools directly (SOM Code #3986, FES Code #3996).
The School of Management does not accept the GRE in lieu of the GMAT, however.Because the two application processes are separate, applicants must submit transcripts and recommendations to both schools. Applicants may either request separate recommenders for each school or ask each recommender to send two versions of the recommendation -- one to SOM and one to FES. We want to learn about an applicant's suitability for each school and program. SOM requires two letters, while FES requires three letters.

For additional information about other Moore Foundation Scholarships and Courses in the Andes-Amazon Region consult the Moore Foundation website.